Santos Mártires de Cunhaú e Uruaçu: a fé que resistiu no Rio Grande do Norte
Em 1645, dois massacres no litoral potiguar deram origem aos primeiros santos nascidos em solo brasileiro. Uma história que começa bem perto daqui.
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Nem toda devoção do nosso catálogo nasceu do outro lado do mundo -- essa começou bem perto daqui. Em 1645, o Brasil holandês vivia um período de forte perseguição religiosa movida por tropas calvinistas contra a população católica do litoral do que hoje é o Rio Grande do Norte.
Dois massacres, poucos meses de diferença
No dia 16 de julho de 1645, um grupo de fiéis participava de uma missa na Capela de Nossa Senhora das Candeias, em Cunhaú (hoje Canguaretama-RN), quando tropas calvinistas trancaram as portas da igreja e assassinaram todos que estavam dentro. Meses depois, em 3 de outubro do mesmo ano, um ataque semelhante aconteceu em Uruaçu, no atual município de São Gonçalo do Amarante -- entre as vítimas estava o padre Ambrósio Francisco Ferro e o leigo Mateus Moreira. Ao todo, cerca de trinta pessoas -- vinte e cinco homens e cinco mulheres -- morreram nos dois episódios, reunidas simplesmente por praticar sua fé.
De beatos a santos, quase quatro séculos depois
Os mártires de Cunhaú e Uruaçu foram beatificados em 5 de março de 2000 pelo Papa João Paulo II, e canonizados em 15 de outubro de 2017 pelo Papa Francisco -- tornando-se os primeiros santos nascidos e martirizados em solo brasileiro. A cerimônia de canonização, em Roma, reuniu cerca de 35 mil pessoas, incluindo mais de 400 potiguares que viajaram até lá especialmente para acompanhar o momento.
Uma devoção que se pode visitar
Diferente de muitas devoções que só existem em livros e imagens, essa dá pra visitar de perto: a Capela dos Mártires, em São Gonçalo do Amarante, o Santuário dos Mártires, no bairro Nossa Senhora de Nazaré, em Natal, e a capela original de Nossa Senhora das Candeias, no antigo engenho de Cunhaú, em Canguaretama, seguem recebendo romarias todos os anos -- uma fé que resistiu há quase 400 anos, na mesma terra de onde saem nossas medalhas.
Uma devoção nascida bem perto daqui
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