A história da Nove de Julho: de uma medalha pra ele mesmo a milhares pelo Brasil
Começou sem impressora, sem máquina de corte e sem apoio -- 7 meses só de prejuízo. Essa é a história de como uma dificuldade pessoal virou a Nove de Julho.
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"Não espere o momento ideal e os planos perfeitos, apenas comece..."
É assim que Ítalo, fundador da Nove de Julho, costuma resumir os últimos anos da própria história. Consagrado da Comunidade Católica Shalom, ele tinha planos bem diferentes para a vida antes de ir em missão. Quando voltou, em 2020, tudo começou a mudar -- a partir de um desejo simples: fazer uma medalha pra si mesmo.
Uma dor pessoal que era de muita gente
A dificuldade era concreta: encontrar medalhas de santos e devoções menos conhecidos -- como Santa Gianna ou Edith Stein -- praticamente não existia no mercado. Some a isso o desejo de conseguir uma renda extra durante a faculdade, e nasceu a ideia. Ítalo deu o primeiro passo, ainda de forma bem simples, no dia 28 de abril de 2020, completamente sem apoio, bem no início da pandemia.
Sete meses só de prejuízo
Não deu certo de primeira. Durante sete meses, foi só prejuízo: material ruim, forma de preparo inadequada, nenhum cliente. Foi só no dia 1º de outubro daquele ano, confiando especialmente à intercessão de São José, Santa Teresinha e São Josemaria Escrivá, que as coisas começaram a tomar corpo de verdade e as vendas passaram a alavancar.
Decisões difíceis pra apostar no sonho
Conforme a confiança e o apoio de amigos foram crescendo, vieram também as decisões mais difíceis: desistir do curso superior numa universidade federal e de um emprego que havia acabado de conseguir, pra apostar de vez no projeto que ainda parecia arriscado demais aos olhos de fora.
Começou sem quase nada
Talvez a parte mais reveladora dessa história esteja nos detalhes pequenos. Ítalo começou sem impressora, indo de bicicleta até a gráfica toda vez que precisava imprimir algo. Começou sem máquina de recorte, cortando cada peça na tesoura e pedindo ajuda de amigos. Começou sem aparelhos industriais, evitando trabalhar em dias de chuva por causa da umidade e colocando sal grosso ao redor do material pra absorver o excesso de água do ar. Usou a resina errada no início, que exalava um cheiro forte e não secava direito, e o adesivo errado, que só rendia dor de cabeça. Usou argolas de ferro por um tempo, porque ainda não sabia onde encontrar argolas de aço inox de verdade. Chegou a enviar pedidos em papel comum, como se fosse carta, sem saber que aquele não era o jeito certo de proteger a peça no correio.
De uma bicicleta a todos os estados do Brasil
Anos de aprendizado depois -- e, como o próprio Ítalo costuma dizer, ainda serão muitos outros --, a Nove de Julho hoje já enviou peças para todos os estados do Brasil e também para fora do país. São medalhas presentes em batizados, casamentos, retiros espirituais e momentos de fé de famílias inteiras -- e não é raro que, viajando por aí, ele encontre alguém usando uma peça que saiu das próprias mãos.
Uma medalha pensada pra resolver uma dificuldade pessoal se tornou, aos poucos, parte da história de fé de milhares de pessoas -- prova de que o passo mais importante, quase sempre, é simplesmente começar.
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