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Dia de Finados: a origem da data e por que a Igreja reza pelos mortos

Um dia depois de Todos os Santos, a Igreja dedica o 2 de novembro a rezar pelas almas de todos os fiéis falecidos. Entenda de onde vem essa tradição de quase mil anos e como ela é vivida no Brasil.

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Dia de Finados: a origem da data e por que a Igreja reza pelos mortos

Em 2 de novembro, um dia depois da solenidade de Todos os Santos, a Igreja Católica celebra a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos -- o Dia de Finados. É uma data de recolhimento: cemitérios cheios, velas acesas, flores nos túmulos e, para quem vive a fé, um convite a rezar por quem já partiu.

Pintura 'O Dia dos Mortos', de William-Adolphe Bouguereau (1859)
"O Dia dos Mortos" (Le Jour des Morts), William-Adolphe Bouguereau, 1859 (Wikimedia Commons, domínio público).

Por que logo depois de Todos os Santos?

A proximidade das duas datas não é acaso -- é o coração da ideia. Em 1º de novembro, a Igreja celebra todos os que já estão na glória de Deus, canonizados ou não, conhecidos ou anônimos. Já em 2 de novembro, a oração se volta para as almas que, na compreensão católica, ainda estão em processo de purificação -- o chamado Purgatório -- e que, por isso, podem ser ajudadas pelas orações dos que ainda vivem. É a chamada comunhão dos santos: a ideia de que a Igreja do Céu, a da terra e a que ainda se purifica continuam ligadas, intercedendo umas pelas outras.

A origem no século 10

A data como hoje é celebrada remonta ao fim do século 10, à abadia beneditina de Cluny, na França. O abade Odilão de Cluny instituiu, em todos os mosteiros ligados a Cluny, um dia de oração, jejum e Missa por todos os defuntos, logo após a festa de Todos os Santos -- motivado especialmente pela preocupação com as almas que mais precisavam das orações dos vivos. O costume se espalhou primeiro entre outras casas beneditinas e cartuxas e, poucos séculos depois, foi incorporado ao calendário litúrgico de Roma, tornando-se celebração universal da Igreja.

Como o Brasil vive o Dia de Finados

No Brasil, 2 de novembro é feriado nacional desde 2002. O costume mais visível é a visita aos cemitérios: famílias levam flores, acendem velas, limpam e enfeitam os túmulos e rezam pelos parentes que já partiram. Cemitérios históricos como o da Consolação (SP), o São João Batista (RJ) e o Campo Santo (Salvador) recebem um movimento grande nesse dia, e cidades como Curitiba chegam a organizar visitas guiadas aos seus cemitérios mais antigos.

É diferente, por exemplo, do Dia dos Mortos mexicano, que mistura a celebração católica com tradições indígenas pré-colombianas e tem um tom mais festivo e colorido. No Brasil, o Dia de Finados costuma ser mais sóbrio e recolhido -- um dia de saudade e de oração.

Uma forma de carregar quem já não está mais aqui

Pra muita gente, rezar não basta -- existe também o desejo de ter por perto algo concreto que lembre quem se foi. É um dos motivos mais comuns por trás de uma medalha personalizada: levar consigo o rosto de um avô, uma mãe, um filho, unindo a saudade e a fé numa peça que se pode segurar ou vestir todos os dias.

Carregue com você quem você ama

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